Uma em cada quatro pessoas no mundo pagou suborno nos últimos 12 meses, segundo uma pesquisa publicada nesta quinta-feira por ocasião do Dia Mundial de Luta contra a Corrupção.
Para 64% dos brasileiros, corrupção aumentou no país
A pesquisa sobre a chamada "pequena corrupção", feita pela organização não governamental Transparência Internacional, que tem sede na Alemanha, é baseada em uma série perguntas feitas a 91 mil pessoas em 86 países.
Os resultados revelaram que no último ano uma pessoa em cada quatro pagou suborno a uma instituição ou serviço (principalmente os setores da saúde e fiscal), sendo a polícia a maior "beneficiária" dos pagamentos.
Segundo a pesquisa, 29% das pessoas que tiveram contato com a polícia no mundo pagaram subornos.
A pesquisa, "Barômetro 2010 da corrupção mundial", é a sétima do mesmo tipo realizada desde 2003.
As entrevistas para o estudo foram feitas entre 1º de junho e 30 de setembro, em sua maioria pelo instituto Gallup.
Fonte: Folha.
UOl Notícias
Para 91% da população brasileira, crimes de violência doméstica contra a mulher devem ser investigados mesmo sem que a vítima apresente queixa. É o que diz pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) sobre a lei 11.340, de 7 de agosto de 2006, conhecida como Lei Maria da Penha, que cria mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher.
Sem a representação da vítima (que é chamada popularmente de "queixa"), o processo penal prossegue por requisição do Ministério Público, que tem o poder de promover a ação com o conhecimento de ter havido o crime.
Segundo a pesquisa, apenas 4,3% dos entrevistados responderam que a investigação não deve prosseguir porque esse é um problema particular do casal; outros 3,5% afirmaram que a vontade da mulher que não faz a queixa deve ser respeitada; e 0,2% consideraram que a investigação não deveria prosseguir porque esse não é um crime "tão grave assim".
O tema é uma das grandes polêmicas em torno da lei, aprovada justamente para facilitar as investigações e punir os responsáveis pela violência doméstica. Tribunais pelo país, no entanto, apresentaram decisões condicionando a investigação à representação por parte da vítima. O mais recente entendimento é do STJ (Superior Tribunal de Justiça), de que não é necessária a representação. Mas o assunto deve ser definido apenas no STF (Supremo Tribunal Federal).
“Digno de relevância também é o fato de que homens e mulheres tiveram opinião muito parecida neste caso, sendo, portanto, a questão vista como relevante e grave por toda a sociedade, o que reforça, mais uma vez, que o problema da violência contra as mulheres não diz respeito somente a elas, mas à sociedade como um todo”, diz o instituto. De acordo com o levantamento, 90,6% dos homens e 91,4% das mulheres acreditam que os crimes devem ser investigados mesmo sem a queixa.
Mesmo considerando as diferentes regiões e escolaridades dos entrevistados, não houve diferenças substantivas.
“Não se pretende com a apresentação destes resultados buscar a defesa de que a opinião pública deva orientar a decisão dos tribunais. Essa opinião, no entanto, ajuda a iluminar um dos propósitos da lei, que foi justamente o de, numa questão candente da vida social, tornar a ação pública incondicionada, e não mais partir de uma ideia de ‘respeito à vontade da vítima’”, conclui ainda o estudo.
Ainda conforme a pesquisa, 81,9% da população, entre homens e mulheres, considera esse tipo de violência um grande problema da sociedade, 14,9% consideram que se trata de um problema apenas de algumas mulheres e apenas 1,7% consideraram que a violência doméstica não é um problema.
Também há otimismo em relação aos efeitos da Lei Maria da Penha: 78,6% consideram que a lei pode evitar ou diminuir muito (42,6%) esse tipo de agressão, ou ao menos um pouco (36%) a violência contra as mulheres.
Os preços altos são considerados por 71% dos brasileiros como um dos principais obstáculos ao acesso à cultura, segundo pesquisa do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) que avalia a percepção da população quanto aos serviços de utilidade pública.
O levantamento, realizado com 2.270 pessoas de todos os estados do Brasil e divulgado nesta quarta-feira (17), mostra ainda que a distância dos equipamentos culturais aparece como o segundo motivo que impede o acesso dos entrevistados, sendo indicado por 61,6%.
Quanto a este item, a pesquisa indica que 51% da população avalia os espaços culturais como mal situados, contra 43,2% dos que têm essa percepção em relação aos espaços esportivos e 40,8%, em relação aos lugares públicos de encontro.
A discriminação social é o terceiro fator que, segundo os entrevistados, impede o acesso à cultura, obtendo 56% das respostas.
Atividades preferidas
Com as questões financeira, social e de localização sendo citadas como as maiores barreiras para desfrutar das ofertas culturais, as atividades que ocorrem dentro de casa são as mais realizadas pelos participantes da pesquisa.
A maioria dos entrevistados (89%) afirma assistir TV ou DVD todos os dias ou pelo menos uma vez por semana. Ouvir música também é uma atividade comum, sendo realizada diariamente por 58,8% das pessoas.
Por outro lado, 59,2% dos entrevistados declararam que nunca vão a teatro, circo ou show e 25,6% fazem isso raramente. No caso do cinema, 54% afirmaram nunca frequentá-lo e outros 26% vão raramente. Já as saídas para clubes ou academias nunca são realizadas por 59,2% da população pesquisada.
Mais tempo livre
O estudo analisou ainda a percepção do tempo livre dos entrevistados. Mais de um terço deles (35,4%) declarou ter tempo insuficiente para fazer tudo o que deseja e 44,9% diz até ter tempo suficiente, mas que sempre há outras atividades a fazer, como cuidados com a casa, compras e compromissos religiosos ou sociais.
Caso tivessem mais tempo, os entrevistados afirmaram que, em primeiro lugar, procurariam fazer cursos, com 33% das respostas, e depois, práticas esportivas (16,1%). Outros 15,1% dizem que não fariam nada e 13%, que cuidariam dos filhos, da família e da casa.
A realização de atividades mais próximas das práticas culturais, como estudar, pesquisar e ler, foi citada por 9,9% das pessoas, e frequentar espaços culturais e de lazer, por 7,7%.