Os preços altos são considerados por 71% dos brasileiros como um dos principais obstáculos ao acesso à cultura, segundo pesquisa do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) que avalia a percepção da população quanto aos serviços de utilidade pública.
O levantamento, realizado com 2.270 pessoas de todos os estados do Brasil e divulgado nesta quarta-feira (17), mostra ainda que a distância dos equipamentos culturais aparece como o segundo motivo que impede o acesso dos entrevistados, sendo indicado por 61,6%.
Quanto a este item, a pesquisa indica que 51% da população avalia os espaços culturais como mal situados, contra 43,2% dos que têm essa percepção em relação aos espaços esportivos e 40,8%, em relação aos lugares públicos de encontro.
A discriminação social é o terceiro fator que, segundo os entrevistados, impede o acesso à cultura, obtendo 56% das respostas.
Atividades preferidas
Com as questões financeira, social e de localização sendo citadas como as maiores barreiras para desfrutar das ofertas culturais, as atividades que ocorrem dentro de casa são as mais realizadas pelos participantes da pesquisa.
A maioria dos entrevistados (89%) afirma assistir TV ou DVD todos os dias ou pelo menos uma vez por semana. Ouvir música também é uma atividade comum, sendo realizada diariamente por 58,8% das pessoas.
Por outro lado, 59,2% dos entrevistados declararam que nunca vão a teatro, circo ou show e 25,6% fazem isso raramente. No caso do cinema, 54% afirmaram nunca frequentá-lo e outros 26% vão raramente. Já as saídas para clubes ou academias nunca são realizadas por 59,2% da população pesquisada.
Mais tempo livre
O estudo analisou ainda a percepção do tempo livre dos entrevistados. Mais de um terço deles (35,4%) declarou ter tempo insuficiente para fazer tudo o que deseja e 44,9% diz até ter tempo suficiente, mas que sempre há outras atividades a fazer, como cuidados com a casa, compras e compromissos religiosos ou sociais.
Caso tivessem mais tempo, os entrevistados afirmaram que, em primeiro lugar, procurariam fazer cursos, com 33% das respostas, e depois, práticas esportivas (16,1%). Outros 15,1% dizem que não fariam nada e 13%, que cuidariam dos filhos, da família e da casa.
A realização de atividades mais próximas das práticas culturais, como estudar, pesquisar e ler, foi citada por 9,9% das pessoas, e frequentar espaços culturais e de lazer, por 7,7%.